Os resultados da Avaliação Nacional de Alfabetização 2025 mostram avanços em algumas regiões, mas mantêm desigualdades estruturais que desafiam décadas de políticas educacionais.
A Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2025, aplicada a estudantes do 2º ano do ensino fundamental, trouxe resultados que confirmam tendências preocupantes e apontam para avanços pontuais. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Educação em fevereiro de 2026 e já geraram debate entre especialistas.
Os números gerais
Em nível nacional, 68% dos alunos avaliados atingiram o nível adequado de leitura para a série — um aumento de 4 pontos percentuais em relação à avaliação anterior. Em escrita, o índice foi de 61%. Em matemática, 54%.
Desigualdades regionais
As disparidades regionais permanecem expressivas. No Sudeste, 78% dos alunos atingiram o nível adequado em leitura. No Norte, o índice foi de 52%. A diferença de 26 pontos percentuais reflete desigualdades históricas em infraestrutura escolar, formação de professores e condições socioeconômicas das famílias.
O papel da formação docente
Pesquisas mostram que a qualidade do professor é o fator intraescolar mais determinante para o aprendizado. Um estudo da Fundação Lemann publicado em 2025 analisou 1.200 escolas públicas e encontrou que escolas com maior proporção de professores com formação específica em alfabetização têm resultados 23% superiores, controlando por fatores socioeconômicos.
"Não é só ter diploma de pedagogia. É ter formação específica em como ensinar a ler e escrever", diz a pesquisadora Vera Masagão, do Instituto Paulo Montenegro. "E isso ainda é raro no Brasil."
Perspectivas
O governo federal anunciou em 2025 um programa de formação continuada para professores dos anos iniciais, com meta de capacitar 200 mil docentes até 2027. Especialistas consideram a iniciativa positiva, mas insuficiente sem investimento paralelo em infraestrutura e valorização salarial.