Meio Ambiente

Desmatamento na Amazônia: o que os números de 2025 realmente significam

Desmatamento na Amazônia: o que os números de 2025 realmente significam

Os dados do INPE mostram queda no desmatamento, mas especialistas alertam para a necessidade de contextualizar os números e entender as limitações metodológicas das medições.

Em agosto de 2025, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou que o desmatamento na Amazônia Legal caiu 49% no primeiro semestre do ano em comparação com o mesmo período de 2022. A notícia foi amplamente celebrada — e merece ser, com ressalvas importantes.

O que os dados medem

O sistema PRODES, usado pelo INPE para medir desmatamento, detecta cortes rasos — áreas onde a vegetação nativa foi completamente removida. Ele não captura degradação florestal, que inclui queimadas, extração seletiva de madeira e abertura de estradas ilegais. Estudos recentes sugerem que a área degradada pode ser equivalente ou superior à área desmatada.

"Quando olhamos só para o desmatamento, estamos vendo a ponta do iceberg", explica a pesquisadora do INPA Cláudia Azevedo-Santos. "A floresta degradada ainda está de pé, mas já perdeu grande parte de sua função ecológica."

Comparação histórica

O pico histórico de desmatamento na Amazônia foi registrado em 1995, com 29.059 km². Em 2004, o governo lançou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), que levou a uma redução de 83% até 2012. Entre 2019 e 2022, houve reversão dessa tendência, com aumento significativo. Os dados de 2024 e 2025 mostram retomada da trajetória de queda.

Fatores explicativos

Pesquisadores identificam três fatores principais para a redução recente: aumento das operações de fiscalização do Ibama, retomada do monitoramento em tempo real e pressão de mercados internacionais sobre cadeias de fornecimento ligadas ao desmatamento. O papel de cada fator é debatido, mas há consenso de que a fiscalização efetiva é insubstituível.

O que ainda preocupa

Mesmo com a queda, o desmatamento em 2025 ainda é superior à média dos anos 2010-2015. E há alertas sobre pressão crescente em áreas de fronteira agrícola, especialmente no chamado "arco do desmatamento" que vai do Pará ao Mato Grosso.

Os dados são motivo de cautela otimista — não de complacência.

Ana Cristina Lemos
Ana Cristina Lemos
Analista Editorial

Mestre em Comunicação pela UCB. Especializada em fact-checking e jornalismo de dados. Trabalhou no Agência Lupa antes de integrar a equipe editorial.